terça-feira, 23 de setembro de 2008

Gogol e a cidade de São Paulo



Andei relendo "O Capote" de Gogol, o que me fez pensar numa coisa importante:Gogol detestava sua São Petersburgo. A cidade nunca lhe dera fama, dinheiro ou simpatia da aristocracia reinante da época. Como vingança, o gênio literário, influenciador de Dostoiévski e dos demais escritores russos que vieram depois, incluindo Nabokov, criou uma Petersburgo fantasmagórica em seus contos, assolada por ventos gélidos, repleta de burocratas medíocres, funcionários públicos ignorantes, serviçais sem vontade própria e de fantasmas que volta e meia assombravam esses cidadãos sem história e sem brilho. São Petersburgo, em parte era assim, mas o restante foi preconceito do gênio que ao criar essa literatura, acabou fundando um mito da cidade, que permaneceu e influenciou outros escritores que vieram depois.


Fico pensando: haverá um mito sobre a cidade de São paulo ? Será que potencializamos os males da cidade em detrimento de suas qualidades, criando assim, uma cidade fantasmagórica, injusta e cruel ?


Ninguém pode negar que esta megalópole é um paradoxo sem fim e quem vive sua realidade diária, junto do povo, não tem lá muita simpatia por ela, justamente por causa de sua imensa desigualdade social, seu trânsito caótico, sua poluição criminosa.


Imagino ainda quantos gogois anônimos passaram por São paulo desde sua fundação ... quantos morreram em sarjetas alcoolizados e desprezados pelo Estado ? Por onde andarão suas obras ? Sei que o mestre tinha razão em um aspecto: a mediocridade tomou conta da humanidade desde que o mundo é mundo e o público, principalmente as elites( entenda-se, econômica), não têm lá muita paciência para admirar um Van Gogh vivo. Depois de morto é outra história...


E se Gogol vivesse hoje em São Paulo ? quanta matéria para seus contos ! Quantos doidos, miseráveis, gente vivendo em cavernas nos barrancos próximo às linhas do trem, os mesmos funcionários públicos, as mesmas personagens, os mesmos Akakiévitchs, os mesmos inspetores doidos por uma promoção , as nesmas almas mortas.... ou para lembrar Dostoiévski, os mesmos Humilhados e Ofendidos.



Ps. Aqui vão alguns dados muito interessantes ( e cruéis ) sobre nossa amada cidade:http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u402034.shtml


Parabéns por essa reportagem.

Gogol e a cidade de São Paulo



Andei relendo "O Capote" de Gogol, o que me fez pensar numa coisa importante:Gogol detestava sua São Petersburgo. A cidade nunca lhe dera fama, dinheiro ou simpatia da aristocracia reinante da época. Como vingança, o gênio literário, influenciador de Dostoiévski e dos demais escritores russos que vieram depois, incluindo Nabokov, criou uma Petersburgo fantasmagórica em seus contos, assolada por ventos gélidos, repleta de burocratas medíocres, funcionários públicos ignorantes, serviçais sem vontade própria e de fantasmas que volta e meia assombravam esses cidadãos sem história e sem brilho. São Petersburgo, em parte era assim, mas o restante foi preconceito do gênio que ao criar essa literatura, acabou fundando um mito da cidade, que permaneceu e influenciou outros escritores que vieram depois.


Fico pensando: haverá um mito sobre a cidade de São paulo ? Será que potencializamos os males da cidade em detrimento de suas qualidades, criando assim, uma cidade fantasmagórica, injusta e cruel ?


Ninguém pode negar que esta megalópole é um paradoxo sem fim e quem vive sua realidade diária, junto do povo, não tem lá muita simpatia por ela, justamente por causa de sua imensa desigualdade social, seu trânsito caótico, sua poluição criminosa.


Imagino ainda quantos gogois anônimos passaram por São paulo desde sua fundação ... quantos morreram em sarjetas alcoolizados e desprezados pelo Estado ? Por onde andarão suas obras ? Sei que o mestre tinha razão em um aspecto: a mediocridade tomou conta da humanidade desde que o mundo é mundo e o público, principalmente as elites( entenda-se, econômica), não têm lá muita paciência para admirar um Van Gogh vivo. Depois de morto é outra história...


E se Gogol vivesse hoje em São Paulo ? quanta matéria para seus contos ! Quantos doidos, miseráveis, gente vivendo em cavernas nos barrancos próximo às linhas do trem, os mesmos funcionários públicos, as mesmas personagens, os mesmos Akakiévitchs, os mesmos inspetores doidos por uma promoção , as nesmas almas mortas.... ou para lembrar Dostoiévski, os mesmos Humilhados e Ofendidos.



Ps. Aqui vão alguns dados muito interessantes ( e cruéis ) sobre nossa amada cidade:http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u402034.shtml


Parabéns por essa reportagem.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Einstein, Chaplin e Lobato.


















Em minha adolescência,quando li as autobiografias de Chaplin e Einstein, era como se estivesse dialogando com esses extraordinários seres humanos. Costumava dizer que ler ( não só uma autobiografia, mas qualquer bom livro), era sentar-se numa mesa e dialogar com o autor da obra. Continuo acreditando nisso, embora não sobre tanto tempo como em minha adolescência ( contra minha vontade). Necessidades cada vez maiores de trabalho e estudos me tiram esse prazer, que me causa abstinência, mas volta e meia pego outro livro e dialogo com meus mestres.

Definitivamente não acredito em um país onde políticos não lêem, seja ele qual for. Não acredito que alguém possa melhorar a vida de uma nação sem um embasamento humano e científico sólidos. Não é preconceito de minha parte, apenas acho que isso é o mínimo que se pode exigir de um político que se dispõe a legislar ou governar uma cidade, estado ou país. Ou, para dizer a linda frase de um grande mestre que muito admiro: Um país se faz com homens e livros. Viva Monteiro Lobato !

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Abre os olhos cidadão !!!

Quem será o novo prefeito de São paulo ? Como sempre, não o mais preparado, mais competente, mais inteligente e talentoso, e sim, quem dispuser de mais dinheiro para gastar em campanha,quem tiver a melhor lábia, o melhor marketing, a melhor identificação com as aspirações do povo paulistano. Maluf nem pensar, é carta fora do baralho. Se o povo fosse realmete inteligente e acompanhasse os problemas da cidade, votaria na Soninha, única pessoa que acredito que cumprirá o mandato até o fim. Os outros podem assinar documento até para o Vaticano, ou com os juízes do Supremo Tribunal Federal como testemunhas, que não acredito. Já deram provas disso.

A disputa acirrada será entre Marta Suplicy e Geraldo Alckmin, que na primeira oportunidade que tiverem, deixarão a prefeitura para seus vices e seguirão caminhos mais ambiciosos. O céu é o limite. Depois o Estado, o país , quem sabe o mundo ?

Isso não quer dizer que ambiciono um prefeito perfeito ( com perdão do trocadilho) para São Paulo, mas quem sabe, um ser-humano que se preocupe realmente com a felicidade e bem-estar dos outros e não só dos automóveis, edifícios, viadutos e repartições públicas da cidade e que não utilize a prefeitura da cidade de São Paulo somente como trampolim para cargos mais ambiciosos, embora eu entenda perfeitamente que ambição é uma característica inerente do ser humano, como sei também que o poder pode construir ou destruir impérios.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Criminoso é o ESTADO

18 bilhões para mil e quinhentos presos ? Será que eu li direito ? O Estado vai gastar dezoito bilhões de reais para prender gente ? Isso é quase o orçamento de dez anos ( eu disse dez anos ) da Universidade de São Paulo. Isso é absurdo ! É criminoso ! Se a verba fosse investida no ensino fundamental ou médio haveria muito mais retorno. Quem é o ladrão que está comandando esse projeto ? O maior bandido de todos é o Estado !!! Podem acreditar que noventa por cento disso será desviado. E o que eu acho mais absurdo é que o povo vai deixar o governo federal fazer isso. Se deixarem, eu saio do país.

Riqueza e mau cheiro

Um dia desses peguei o "Ponte Orca" na Cidade Universitária até a Vila Madalena e no percurso quase vomitei com o fedor insuportável do rio Pinheiros em pleno bairro nobre. Então pensei comigo: se a burguesia não fede, como cantou certa vez Cazuza, o bairro onde ela mora sim. E muito.

Aquilo não era um fedor comum. Era como se todo o bairro chique estivesse mergulhado no esgoto mais fétido do mundo. Um cadáver em decomposição não deve cheirar tão mal, o que me levou a refletir numa coisa importante: as centenas de favelas da cidade de São Paulo envolvidas por esgotos, ratos, mosquitos,baratas, e muito, muito mau cheiro.

Se achei absurdo um ser humano conseguir viver em um bairro respirando vinte e quatro horas gás metano e gás sulfídrico, com portas e janelas trancadas, sem mover uma palha para mudar tal situação, e o pior: tendo todos os meios para tal, imaginem viver em uma favela onde o cidadão não tem sequer meios de garantir sua subsistência.

Viva São paulo, que conseguiu chegar a tal ponto. E quem é culpado ? Todos os que tiveram voz e condições para melhorar a cidade e não fizeram nada. O povo, os governantes e até eu, se omitir o que estiver ao meu alcance. O caos vem de longe e vai ficar cada vez mais complicado se continuarem poluindo a cidade. Qualquer dia desses baixa um "fog" como aconteceu em Londres na década de cinqüenta e morrem algumas centenas de pessoas... quem sabe alguém toma alguma atitude.

Vamos queimar petróleo

Todos sabem que no governo JK as grandes montadoras só aceitaram vir para o Brasil porque o governo se comprometeu rasgar estradas, juntamente com o Plano de Metas de seu mandato. Assim, JK foi contra os interesses do país, porque se houvesse priorizado o transporte ferroviário e não o rodoviário, muito do caos e da poluição que sofrem as grandes cidades brasileiras, principalmente São Paulo, seriam bem menores. Trens e ônibus movidos a eletricidade poderiam substituir os automóveis e as ferrovias interligariam estados com muito mais segurança e menos gastos que as rodovias esburacadas e perigosas que cortam o país.

Mas por que então priorizaram as rodovias, mesmo sabendo que uma única locomotiva é capaz de transportar um volume de carga equivalente a mais de cem caminhões e com menor gasto ? A resposta é que alguém deve ter ganhado muito dinheiro com a vinda das montadoras ao Brasil, e uma coisa é certa: não foi o povo.

Em compensação, se não houvesse milhões de automóveis rodando por aí, não precisaríamos de tanto petróleo, a Petrobrás não seria o exemplo que é, dominando a perfuração em grandes profundidades, não despejaríamos tanto dióxido, monóxido e outros gases venenosos na atmosfera, não morreriam centenas de milhares de pessoas em acidentes pelas estradas, crianças e idosos não seriam internados por problemas respiratórios nos hospitais, onerando o sistema de saúde e o Brasil contribuiria bem menos para o efeito-estufa, sem contar na amenização de outros efeitos sociais como as desigualdades regionais que incentivaram a imigração para o Estado de São Paulo. Eu lhe pergunto: Valeu a pena ?

Notícias do Mundo-Cão

Ando por esses dias assistindo a programas de TV que veiculam notícias do mundo-cão. E dá-lhe gente morrendo a machadadas, por atropelamento, queimadas, fuziladas por armas de fogo, espancadas e por aí vai... refletindo sobre isso, descobri que não sou contra esses programas, a partir do momento que eles não se limitem a uma visão preconceituosa da violência, mas a aprofundar a discussão dessas questões. Alguns até deixam o telefone para que as pessoas opinem sobre os mais diversos temas, mas, opinar sobre a pena de morte no calor de um crime hediondo que acaba de acontecer é demagogia. É claro que a maioria votará a favor.

O correto seria não haver necessidade de existir tais programas... o correto seria se não precisássemos debater sobre a violência e suas causas... o correto seria buscar a felicidade plena de todos... o correto seria eu não estar aqui escrevendo sobre essas coisas.

Fico pensando se o mundo fosse governado por mulheres... seria diferente ? acho que sim. Há comprovações científicas de que a mulher é bem menos violenta que o homem. Outros dirão: mas e as presidiárias que barbarizam tanto quanto os homens ? Eu respondo: mas em quantidade bem menor, podem acreditar. Quase todas as guerras foram feitas por homens . O homem sente prazer em manipular, em ser maquiavélico, machão. Vivo em uma Universidade Pública e presencio isso todos os dias entre universitários. E se aqui é assim, numa Universidade que formará os futuros livres-pensadores do país, imaginem o que acontece lá fora . Sem querer ser pró-feminista, digo com convicção que o homem no poder, deu o que tinha de dar. E aqui cito Chaplin: "Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura". Outros dirão: mas a mulher também sabe ser maquiavélica . E eu digo: A mulher se defende. Ela sabe ser maquiavélica quando encurralada ou influenciada por algum outro meio nefasto, mas de uma coisa é certo: A Mulher quando é inteligente ,humana e sensível, ganha de qualquer homem em qualquer área. É de gente assim que o mundo precisa.

Minha Homenagem a Zélia Gattai

Quando li "Anarquistas, graças a Deus", achei um dos livros de memórias mais adoráveis e bem-escritos que tinha lido até então. O livro retrata uma época em que São paulo ainda era habitável e convivível... não havia poluição nem trânsito esquizofrênico. Não havia violência nem poluição insuportável. Não havia crianças cheirando cola nem se prostituindo pelas ruas... quando li "Anarquistas"..., recomendei o livro para dezenas de pessoas e pensei comigo: a Zélia superou Jorge amado. Virei fã mesmo e de lá para cá tive o privilégio de ler outros de seus livros mas, para mim, nenhum superou o humanismo,o humor, a inteligência e a doçura de "Anarquistas". Por isso, me senti órfão e triste quando soube de sua morte e aqui vai esse relato em sua homenagem. Que surjam novos escritores tão bons quanto Zélia Gattai. Pena que não pude ter nenhum de seus livros autografados.

Gogol e a cidade de São Paulo

Andei relendo "O Capote" de Gogol, o que me fez pensar numa coisa importante:Gogol detestava sua São Petersburgo. A cidade nunca lhe dera fama, dinheiro ou simpatia da aristocracia reinante da época. Como vingança, o gênio literário, influenciador de Dostoiévski e dos demais escritores russos que vieram depois, incluindo Nabokov, criou uma Petersburgo fantasmagórica em seus contos, assolada por ventos gélidos, repleta de burocratas medíocres, funcionários públicos ignorantes, serviçais sem vontade própria e de fantasmas que volta e meia assombravam esses cidadãos sem história e sem brilho. São Petersburgo, em parte era assim, mas o restante foi preconceito do gênio que ao criar essa literatura, acabou fundando um mito da cidade, que permaneceu e influenciou outros escritores que vieram depois.

Fico pensando: haverá um mito sobre a cidade de São paulo ? Será que potencializamos os males da cidade em detrimento de suas qualidades, criando assim, uma cidade fantasmagórica, injusta e cruel ?

Ninguém pode negar que esta megalópole é um paradoxo sem fim e quem vive sua realidade diária, junto do povo, não tem lá muita simpatia por ela, justamente por causa de sua imensa desigualdade social, seu trânsito caótico, sua poluição criminosa.

Imagino ainda quantos gogois anônimos passaram por São paulo desde sua fundação ... quantos morreram em sarjetas alcoolizados e desprezados pelo Estado ? Por onde andarão suas obras ? Sei que o mestre tinha razão em um aspecto: a mediocridade tomou conta da humanidade desde que o mundo é mundo e o público, principalmente as elites( entenda-se, econômica), não têm lá muita paciência para admirar um Van Gogh vivo. Depois de morto é outra história...

E se Gogol vivesse hoje em São Paulo ? quanta matéria para seus contos ! Quantos doidos, miseráveis, gente vivendo em cavernas nos barrancos próximo às linhas do trem, os mesmos funcionários públicos, as mesmas personagens, os mesmos Akakiévitchs, os mesmos inspetores doidos por uma promoção , as nesmas almas mortas.... ou para lembrar Dostoiévski, os mesmos Humilhados e Ofendidos.



Ps. Aqui vão alguns dados muito interessantes ( e cruéis ) sobre nossa amada cidade:http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u402034.shtml

Parabéns por essa reportagem.

Abraços.

A ignorância é vizinha da maldade ?

Caminho pelas ruas de São paulo e não deixo de pensar que tudo nesta cidade, absolutamente tudo é exagerado: a poluição, o barulho, o trânsito, o tráfego, o número de pessoas nas ruas , a violência, a indiferença, o número de favelas,as mortes no trânsito e por aí vai...mas há a arte, a cultura, a música, o conhecimento, a vida , o trabalho, a vontade de viver.

São Paulo é uma espécie de Sodoma onde as pessoas fecharam os olhos para a maldade. Maldade esta que que se transforma em estatísticas nos atropelamentos,assassinatos, corrupção, tráfico de drogas, desrespeito às leis de trânsito, miséria, desigualdade social e favelas, enormes favelas... mais de duas mil, segundo estatísticas. Quantos habitantes morarão nelas ? Provavelmente bem mais de um milhão.

O futuro de São paulo se desnuda sombrio: "Condomínios-cidadelas" cercados por serviçais obedientes e multidões de trabalhadores informais, messiânicos de todos os tipos,pessoas enlouquecidas pelas privações da vida, miseráveis e crianças de rua.São Paulo é o retrato do Brasil que vai mal, com seu trabalho-escravo e infanticidas que alavancam a audiência de programas que têm como prato principal notícias do mundo-cão. Um infanticida a mais, um a menos, quem se importa ?

A violência de São Paulo é mais profunda...somos violentados diariamente pela arrogância de seus edifícios assépticos monitorados vinte e quatro horas por câmeras e seguranças, pelo barulho ensurdecedor de de milhões de automóveis cuspindo poluição nas ruas, pela indiferença das pessoas perante crianças de rua que se drogam e se prostituem ao relento, pela desconfiança sempre constante no olhar dos transeuntes e pela arrogância de suas instituições centenárias.

São paulo é uma aberração urbana, uma cidade de aço e concreto que pode enlouquecer e devorar quem vive sua realidade diária de de ônibus lotados e filas de espera. Para onde irá São Paulo ?